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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PROSTITUIÇÃO INFANTIL...

Prostituição infantil e juvenil no Brasil: a escola como agente de mudança de comportamento

Resumo

A prostituição é uma atividade que gera constantes conflitos e controvérsias. A maneira como é praticada acarreta, em algumas situações específicas, enquadramento legal. Diante de tantas injustiças cometidas contra as prostitutas, elas começam a ganhar destaque na sociedade e passam a lutar por seus direitos como trabalhadoras já no início do século XX. Diferentemente da prostituição em idade adulta, a prostituição infantil e juvenil é um fato que ganhou destaque mundial, somente a partir dos anos 90 com denúncias alarmantes, principalmente na França e posteriormente no Brasil. Essa atividade é considerada ilegal, pois é a exploração do mais forte sobre o mais frágil, do adulto sobre a criança, que por sua vez, se encontra fragilizada no processo de violências a qual é submetida. Acreditamos que o papel da escola é de suma importância para a mudança de mentalidade das crianças e adolescentes que se entregam à prostituição, e deve estar presente em todas as instâncias de ensino. A escola como espaço multicultural pode contribuir com um currículo que inclua atividades extras, além do aprendizado acadêmico, fazendo-se presente para ajudar no desenvolvimento de ações que permitam uma melhor compreensão desse fenômeno...

domingo, 8 de dezembro de 2013

RESPEITO AOS NOSSOS PROFESSORES...

A violência, a escola e você

Nenhum professor pode ser desrespeitado em seu trabalho, mas também é nosso papel compreender a realidade ao nosso redor para garantir que os jovens aprendam,

Luis Carlos de Menezes
Nova Escola - 08/2007


Alexandre Battibugli
A onda de violência que atinge escolas no Brasil também é vista em outras partes do mundo. Nos últimos tempos, casos de jovens assassinados em nossas escolas se alternam com notícias de matanças múltiplas em colégios norte-americanos. Mais recentemente, no intervalo de poucos dias, sucederam-se notícias de agressões em que uma professora teve os dentes quebrados, outra teve um dedo decepado, outra ainda os cabelos queimados - e um professor foi morto a tiros.

Nessas horas me vem à mente a lembrança de um amigo de grande sabedoria e humanismo, cuja capacidade de esperança permitia enxergar além do imediato e vislumbrar saídas. Há pouco mais de dez anos, eu o ouvi pela última vez, pelo rádio, entrevistado justamente sobre a violência, que já se agravava. Paulo Freire parecia perplexo, pois a escola era para ele um cenário em que os conflitos são tratados, mas em nenhuma hipótese com agressões. Ao escrever agora sobre esse tema, lembro que meu velho amigo morreu antes que pudéssemos voltar a conversar e reconheço que preciso recuperar a sintonia com minhas heranças humanistas para propor ações em que a dimensão pedagógica se sobreponha à repressiva.

Sabemos que nenhuma escola é uma ilha, mas parte da sociedade. E no nosso caso essa sociedade tem-se embrutecido de forma espantosa. O roubo, o tráfico, a corrupção, o desrespeito e o preconceito levam a atos violentos e criminosos. Para recompor valores deteriorados e conseguir preparar os jovens para a vida, a escola não pode ignorar a violência em suas próprias práticas e precisa trazer as questões do mundo para a sala de aula.

Alunos agredidos, livros roubados, alunas assediadas, funcionários humilhados, ofensas entre professores e alunos. Todos esses são exemplos de situações internas à escola que precisam ser enfrentadas com a mesma firmeza com que debatemos a violência do mundo em geral. Do contrário, nosso papel formador não será cumprido. Tudo no ambiente escolar tem caráter pedagógico. Compreender como o abuso do álcool ameaça quem está ao volante (e também quem está nas ruas e no convívio doméstico), desenvolver projetos que mostrem como a intolerância, a injustiça e o preconceito resultam em violência (tanto entre nações como entre pessoas), estabelecer paralelos entre o que se vive na escola e o que se vê fora dela são apenas alguns exemplos de como não fugir dessa difícil questão.

Numa sociedade violenta, a escola deve se contrapor abertamente à cultura de agressões. Acredito que as situações que dizem respeito a questões internas devem ser tratadas nos conselhos de classe, identificando responsabilidades, garantindo reparações e promovendo formação. Mas a atitude firme contra a violência deve antecipar-se aos fatos como parte do projeto educativo. Turmas de alunos e novos professores devem ser recebidos a cada ano com um diálogo de compromisso, que apresente e aperfeiçoe as regras de convívio, para que não se desrespeitem os mestres em seu trabalho nem os jovens em seu aprendizado. Como meios e fins devem ser compatíveis, são necessários tempo e instalações, especialmente previstos para o convívio, pois quem é tratado como gado ou fera, enquadrado em carteiras perfiladas ou coletivamente abandonado em pátios áridos, mais facilmente vai se comportar como gado ou fera

A VIOLÊNCIA É ASSUSTADORA NAS ESCOLAS...

Violências nas Escolas
As percepções de alunos, pais e membros do corpo técnico-pedagógico de escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras estão reunidas no livro "Violências nas escolas", o maior e mais completo estudo já feito sobre o assunto na América Latina.
A pesquisa foi desenvolvida nas áreas urbanas das capitais dos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo e em Brasília (DF).
Para a realização da pesquisa, adotou-se uma concepção abrangente de violência - daí o uso do termo no plural, violências - , incorporando não apenas a idéia de maus-tratos, uso de força ou intimidação, mas também as dimensões sócio-culturais e simbólicas do fenômeno.
Desse modo, no livro trata-se tanto da violência física, quanto da violência simbólica e da institucional. Por isso, há que se enfatizar que a violência na escola não pode ser vista como uma modalidade de violência juvenil.
O livro apresenta uma visão abrangente da literatura a respeito do tema, bem como analisa as percepções dos atores sociais que convivem nas escolas sobre:
  • As violências no ambiente interno e no entorno da escola (policiamento, gangue e tráfico de drogas, ambiente escolar, etc. );
  • O funcionamento e as relações sociais na escola (percepções sobre a escola, transgressões e punições, etc.) e;
  • As violências nas escolas: tipos de ocorrências (ameaças, brigas, violência sexual, uso de armas, furtos e roubos, outras violências etc.), praticantes e vítimas.
Chama a atenção que existe uma tendência à naturalização da percepção das violências nas escolas. Por exemplo, as brigas, os furtos e as agressões verbais são consideradas acontecimentos corriqueiros, sugerindo a banalização da violência e sua legitimização, como mecanismo de solução de conflitos.
O "Violências nas escolas" apresenta propostas de combate e prevenção baseadas nos dados coletados, além de fazer uma série de recomendações nas esferas do lazer (como a abertura das escolas nos finais de semana), da interação entre escola, família e comunidades, cuidar do estado físico e da limpeza dos estabelecimentos e valorizar os jovens, respeitando sua autonomia, entre outras.

Esta obra impressa se encontra esgotada na Representação da UNESCO no Brasil. Como a mesma foi largamente distribuída em variadas localidades brasileiras, para universidades federais, bibliotecas públicas e universitárias e várias entidades governamentais federais, estaduais e municipais, sugerimos que se dirija a alguma destas instituições para poder ter acesso a esta publicação.

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS...

Violência nas escolas: Das ruas para a sala de aula.


  • A violência nas escolas preocupa cada vez mais as autoridades, que realizam seminários para compreender o problema A violência nas escolas preocupa cada vez mais as autoridades, que realizam seminários para compreender o problema
Cenas de alunos brigando entre si, agredindo professores ou sendo atacados por profissionais que deveriam ensiná-los são cada vez mais comuns nas redes sociais e em noticiários da TV.
Direto ao ponto: Ficha-resumo
Os casos acontecem desde os anos 1990 – quando surgiram as primeiras discussões de especialistas sobre o assunto – e estão relacionados com o aumento da criminalidade nas grandes cidades, verificado na mesma época.
Na última década, contudo, os registros tornaram-se mais frequentes, além de ganharem notoriedade graças à divulgação na internet, em sites como o YouTube e o Facebook. Os vídeos são disseminados, muitas vezes, pelos próprios jovens envolvidos nas agressões, como forma de conquistar status junto aos colegas.

O crime mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando doze adolescentes com idades entre 12 e 14 anos foram mortos a tiros na escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era um ex-aluno que teria sido vítima de bullying.
Segundo a pesquisa mais recente sobre o assunto, divulgada em 9 de maio, quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), entrevistou 1.400 docentes da rede estadual de 167 cidades.
Os dados comprovam o que educadores já sabiam: a fronteira entre a escola e a violência das ruas deixou de existir. Vandalismo, agressões, confronto entre gangues, roubos, tráfico e até assassinatos passaram a fazer parte da rotina escolar.
De acordo com a pesquisa, intitulada “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento. A insegurança no trabalho, de acordo com os coordenadores do estudo, é comum entre os docentes.
Drogas
Mas, porque a escola deixou de ser uma referência de segurança e de futuro melhor para crianças e adolescentes para se tornar um ambiente de medo?
Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, acontece dentro dos próprios estabelecimentos de ensino.
Psicólogos e pedagogos apontam ainda a educação recebida em casa. Os pais são muito permissíveis em relação o comportamento dos filhos ou muito agressivos. De qualquer forma, de acordo com especialistas, a falta de valores familiares seria um dos motivos da violência.
Apontam-se, também, fatores como a exclusão social a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e acadêmico. A educação, nesse sentido, deixou de ser uma alternativa ao ciclo de pobreza e desagregação familiar vivido por estudantes de periferias.
Entretanto, uma pesquisa mais abrangente, publicada pela Unesco em 2003, concluiu que nenhuma dessas explicações, isoladas, respondem à questão. É preciso, de acordo com a Unesco, analisar um conjunto de causas externas (como o fácil acesso a armas e drogas no entorno das unidades de ensino) e internas, que interagem entre si.
Entre os aspectos internos são apontados a falta de segurança nas escolas e o descontentamento de alunos com a disciplina, a estrutura e a qualidade de ensino. Segundo a Unesco, a violência é uma das principais razões para o abandono dos estudos.
Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o tema com alunos e familiares apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas. Os governos investiram, ao longo dos anos, em rondas escolares, sistema de vigilância por câmeras e proteção dos prédios com muros altos, grades e cadeados. Também são promovidos eventos, palestras e oferecidos cursos de mediação de conflitos em escolas públicas para educadores.

Fique Ligado

A violência nas escolas, infelizmente, é apenas um dos aspectos da violência no país. Outros já foram abordados aqui no passado. Desses, selecionamos dois relativamente recentes, que vale a pena rever, para contextualizar o problema escolar no âmbito nacional. É importante também relembrar a questão do bullying, para saber com precisão o que isso significa e como o assunto é tratado no Brasil.

Direto ao ponto

A pesquisa “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, divulgada em 9 de maio, revelou que quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento foi feito pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

De acordo com os dados, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento.

Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, ocorre dentro dos próprios estabelecimentos. Psicólogos e pedagogos apontam também como motivos a  desestruturação familiar e a exclusão social.

Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o assunto com os alunos e a família apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas

VIOLÊNCIA X ESCOLA...

VIOLÊNCIA X ESCOLA.

 A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas, e se manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários.
Porém, o que vemos são ações coercitivas, representadas pelo poder e autoritarismo dos professores, coordenação e direção, numa escala hierárquica, estando os alunos no meio dos conflitos profissionais que acabam por refletir dentro da sala de aula.
Além disso, a violência estampada nas ruas das cidades, a violência doméstica, os latrocínios, os contrabandos, os crimes de colarinho branco têm levado jovens a perder a credibilidade quanto a uma sociedade justa e igualitária, capaz de promover o desenvolvimento social em iguais condições para todos, tornando-os violentos, conforme esses modelos sociais.
Nas escolas, as relações do dia a dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição.
Muito se diz sobre o combate à violência, porém, levando ao pé da letra, combater significa guerrear, bombardear, batalhar, o que não traz um conceito correto para se revogar a mesma. As próprias instituições públicas se utilizam desse conceito errôneo, princípio que deve ser o motivador para a falta de engajamento dessas ações.

Aula motivadora que favorece a reflexão e o aprendizado
Levar esse tema para a sala de aula desde as séries iniciais é uma forma de trabalhar com um tema controverso e presente em nossas vidas, oportunizando momentos de reflexão que auxiliarão na transformação social.
Com recortes de jornais e revistas, pesquisas, filmes, músicas, desenhos animados, notícias televisivas, dentre outros, os professores podem levantar discussões acerca do tema numa possível forma de criar um ambiente de respeito ao próximo, considerando que todos os envolvidos no processo educativo devem participar e se engajar nessa ação, para que a mesma não se torne contraditória. E muito além das discussões e momentos de reflexão, os professores devem propor soluções e análises críticas acerca dos problemas a fim de que os alunos se percebam capacitados para agir como cidadãos.
Afinal, a credibilidade e a confiança são as melhores formas de mostrar para crianças e jovens que é possível vencer os desafios e problemas que a vida apresenta

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A seca no Nordeste Brasileiro...



A dura vida do sertanejo

Dentre os muitos aspectos apresentados pela Região Nordeste o que mais se destaca é a seca, causada pela escassez de chuvas, proporcionando pobreza e fome.

A partir dessa temática é importante entender quais são os fatores que determinam o clima da região, especialmente na sub-região do sertão, região que mais sofre com a seca.

O Sertão nordestino apresenta as menores incidências de chuvas, isso em âmbito nacional. A restrita presença de chuva nessa área é causada basicamente pelo tipo de massa de ar aliado ao relevo, esse muitas vezes impede que massas de ar quentes e úmidas ajam sobre o local causando chuvas.

No sul do Sertão ocorrem, raramente, chuvas entre outubro e março, essas são provenientes da ação de frentes frias com característica polar que se apresentam e agem no sudeste. As outras áreas do Sertão têm suas chuvas provocadas pelos ventos alísios vindos do hemisfério norte.

No Sertão, as chuvas se apresentam entre dezembro e abril, no entanto, em determinados anos isso não acontece, ocasionando um longo período sem chuvas, originando assim, a seca.

As secas prolongadas no Sertão Nordestino são oriundas, muitas vezes, da elevação da temperatura das águas do Oceano Pacífico, esse aquecimento é denominado pela classe cientifica de El Niño, nos anos em que esse fenômeno ocorre o Sertão sofre com a intensa seca.

A longa estiagem provoca uma série de prejuízos aos agricultores, como perda de plantações e animais, a falta de produtividade causada pela seca provoca a fome.

Vegetação

No Sertão e no Agreste o tipo de vegetação que se apresenta é a caatinga, o clima predominante é o semi-árido, esse tipo de vegetação é adaptado à escassez de água.

Algumas espécies de plantas da caatinga têm a capacidade de armazenar água no caule ou nas raízes, outras perdem as folhas para não diminuir a umidade, todas com o mesmo fim, poupar água para os momentos de seca.

Rios temporários ou sazonais

Os rios que estão situados nas áreas do Sertão são influenciados pelo clima semi-árido, dessa forma não há grande incidência de chuvas.

A maioria dos rios do Sertão e Agreste é caracterizada pelo regime pluvial temporário, isso significa que nos períodos sem chuva eles secam, no entanto, logo que chove se enchem novamente.

Nas regiões citadas é comum a construção de barragens e açudes como meio de armazenar água para suportar períodos de seca

A DESTRUIÇÃO DA AMAZONIA...


A DESTRUI��O
DA AMAZ�NIA

Uma �rea maior que a da Fran�a j� foi devastada
ou seriamente danificada na floresta
Tales Alvarenga
Foto: Araqu�m Alc�ntara
O fogo na mata (acima) e um p�r-do-sol po�tico sobre a �gua e a floresta: o Brasil nunca retomou o vigor destrutivo dos anos 80, quando o pa�s se tornou um p�ria mundial da ecologia, mas a floresta est� desaparecendo ao ritmo de um territ�rio como o de Sergipe a cada ano e meio. Por que e para qu�?
Foto: Pedro Martinelli
J� aconteceu uma vez. Da Mata Atl�ntica, que cobria a costa brasileira do Rio Grande do Sul at� o Cear�, s� restam hoje entre 5% e 8%, na estimativa mais otimista. Agora, � a Amaz�nia que est� sob ataque. Distante dos centros mais desenvolvidos, a Floresta Amaz�nica permaneceu quase intocada at� trinta anos atr�s. Nas tr�s �ltimas d�cadas, suas �rvores sofreram mais baixas do que nos quatro s�culos anteriores. N�o � um caso perdido. A Amaz�nia ainda est� sob ocupa��o humana das mais ralas e h� regi�es com a dimens�o de pa�ses europeus que continuam intactas. Ainda se pode viajar dez horas no Rio Negro, um dos maiores da Amaz�nia, sem cruzar com mais de quatro ou cinco barcos e sem ver movimenta��o nas margens, a n�o ser por uma d�zia de casebres solit�rios. Mas em regi�es economicamente mais atraentes, lugares que j� s�o ocupados por vilarejos e cidades, o ataque � floresta � brutal.
Desde o fim dos anos 60, quando come�ou essa cruzada de exterm�nio, uma capa vegetal com �rea maior que a da Fran�a j� desapareceu na Amaz�nia, pela a��o do fogo ou da motosserra. N�o h� registro de extin��o de esp�cies animais na regi�o. Mas as altera��es do meio ambiente, a ca�a predat�ria e a pesca centralizada nos peixes preferidos pela culin�ria local amea�am um zool�gico inteiro de desaparecer para sempre. Dezenas de mam�feros e r�pteis est�o na lista das esp�cies em risco. O peixe-boi, um mam�fero pac�fico que atinge at� 500 quilos com uma dieta de capim aqu�tico, est� ficando cada vez mais raro. On�a e macacos figuram na lista, bem como algumas esp�cies de jacar� e tartaruga. Em breve, o pirarucu, maior peixe amazonense, pode fazer parte das esp�cies amea�adas. Aos poucos, mas ininterruptamente, a Amaz�nia est� sendo comida pelas queimadas, pelo furor das serrarias, pela polui��o descontrolada dos garimpos e pela instala��o de fazendas de gado em v�rzeas que funcionam como ber��rios de peixes. O Brasil nunca retomou o vigor destrutivo dos anos 80, quando o pa�s se tornou um p�ria internacional da ecologia, mas atualmente a floresta est� desaparecendo ao ritmo aproximado de um territ�rio como o de Sergipe a cada ano e meio. A pergunta a se fazer �: por que e para qu�?
Foto: Pedro Martinelli
O encontro das �guas do Negro com o Solim�es: o vi�o da mata e a quantidade de �gua da bacia estimularam o mito da superabund�ncia amaz�nica
A Amaz�nia, a mais rica e a maior floresta tropical do mundo, um territ�rio �nico pela variedade indescrit�vel de sua flora e fauna, estende-se por nove pa�ses da Am�rica do Sul, dos quais o Brasil fica com a maior parte da mata, 60% do total. Na Amaz�nia brasileira, cortada de ponta a ponta pelo Rio Amazonas e empapada por mais de 1.000 de seus afluentes, caberiam catorze Alemanhas ou vinte Inglaterras. N�o h� outro lugar no mundo com tamanha variedade de esp�cies de p�ssaros, peixes e insetos. Numa �rea insignificante da mata tropical brasileira, uma extens�o que se cruza a p� em algumas horas, existe mais diversidade de plantas do que em toda a Europa. Quando um estrangeiro pensa no Brasil, � prov�vel que a primeira associa��o que fa�a, antes do futebol ou do samba, seja a floresta tropical. Quando um brasileiro pensa em si pr�prio em oposi��o a outros povos, tamb�m coloca a Amaz�nia como um dos mais irresist�veis s�mbolos de sua nacionalidade. Pois bem: como est� sendo tratada essa prov�ncia ecol�gica t�o admirada dentro e fora do Brasil? "� medida que o novo s�culo se aproxima, a Amaz�nia est� sendo transformada por desmatamento, crescimento urbano, minera��o, represas e uma explora��o generalizada de seus recursos naturais", l�-se num dos melhores trabalhos j� escritos sobre a regi�o, Enchentes da Fortuna, de dois pesquisadores americanos que l� viveram, Michael Goulding e Nigel Smith, e de um especialista do Banco Mundial, Dennis Mahar. Toda a destrui��o est� acontecendo em uma regi�o que Goulding considera "a maior celebra��o da diversidade do planeta".
O vi�o da floresta e a quantidade absurda de l�quido que por ela escorre, um quinto da �gua doce do planeta, estimularam a cren�a falsa de que a Amaz�nia � um celeiro inesgot�vel. Criou-se, sobre a Amaz�nia, o mito da superabund�ncia, que persiste desde a chegada dos primeiros europeus, h� quase 500 anos. A verdade � outra. O solo da Amaz�nia, argiloso ou arenoso em sua maior parte, � fraqu�ssimo. As �rvores se nutrem do pr�prio material org�nico que cai ao ch�o. Galhos, folhas, flores, frutos, vermes, insetos, fungos tudo isso se desprende das copas e se amontoa no solo. O material apodrece, desfaz-se na terra e � sugado pela teia superficial das ra�zes. O ch�o da Amaz�nia n�o � o reservat�rio em que as plantas v�o buscar os nutrientes, como acontece em outras regi�es. Na maior floresta do mundo, o solo � s� o lugar onde as �rvores se ap�iam fisicamente, nada mais. Retirada a capa verde, a terra n�o tem for�a para reerguer sozinha uma nova mata. A chuva tem um mecanismo parecido. A Amaz�nia s� existe porque chove muito na regi�o. Metade dessa chuva vem do Oceano Atl�ntico. A outra metade resulta da evapora��o do suor da floresta, um fen�meno que os especialistas chamam de evapotranspira��o. Cortando-se a cobertura vegetal, a chuva ser� reduzida pela metade e, nesse ponto, ningu�m sabe o que acontecer�. "A regi�o depende da manuten��o de sua cobertura florestal e, sem ela, se estabelecer� um desequil�brio, cujas conseq��ncias, no momento, s�o imprevis�veis", escreve Luiz Emydio de Mello Filho, professor de bot�nica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em um livro de fotos e artigos cient�ficos sobre a floresta, Amaz�nia Flora e Fauna. � s� a partir de uma determinada quantidade de desmatamento que a floresta perder� a capacidade de auto-regenera��o. Uma das coisas que os cientistas n�o sabem � em que lugar est� situado esse ponto sem volta. Enquanto isso, a motosserra vai limpando o terreno. O barulho que a serra faz na floresta � muito alto. Mas, entre as autoridades respons�veis pelo meio ambiente, parece que todo mundo est� usando protetores de ouvido.
Dois fen�menos aparentemente contradit�rios convivem na biologia da Amaz�nia. L� existe um n�mero insuper�vel de esp�cies, mas relativamente poucos exemplares dentro de cada uma. Isso vale para �rvores ou peixes, indiferentemente. Num espa�o equivalente a um quarteir�o � dif�cil encontrar tr�s �rvores da mesma fam�lia. Em raz�o da grande dispers�o das �rvores, os seringueiros precisam andar quil�metros e quil�metros na mata. Cada seringueira fica a 100, 200 metros uma da outra. Nos rios, o fen�meno se repete. O observador pouco familiarizado com a Amaz�nia tende a desconfiar dos bi�logos que alertam para o risco que estariam correndo alguns peixes mais valorizados pelos consumidores da regi�o. Estabelece-se, para esse observador, uma esp�cie de "paradoxo do atum". Se o atum � cada vez mais consumido no mundo inteiro e ningu�m diz que essa esp�cie corre risco de extin��o, raciocina ele, por que ent�o as popula��es de pirarucu ou tambaqui, consumidas apenas pelos moradores da Amaz�nia, estariam sob qualquer tipo de amea�a?
Existe, na Amaz�nia, uma variedade incompar�vel de peixes, provavelmente umas 3.000 esp�cies no total, quinze vezes mais do que em todos os rios da Europa, mas o n�mero de pirarucus ou de tambaquis representa uma fra��o da quantidade a que chegam certos tipos de peixes mar�timos. Na base da cadeia alimentar dos oceanos h� mais nutrientes do que nos rios, para come�ar. E esses nutrientes s�o pouco afetados pela interven��o do homem. Nos rios amaz�nicos, ao contr�rio, o homem j� tem um efeito negativo vis�vel sobre a fonte b�sica de alimentos, toneladas de frutos e sementes que as enchentes v�o buscar nas florestas alag�veis durante os ciclos da chuva. Entre Manaus e o Rio Xingu, uma extens�o de 2.000 quil�metros, as v�rzeas do Rio Amazonas est�o se transformando rapidamente em pastagens para o gado. Desmata-se tamb�m nas �reas de inunda��o para tirar madeira. Boiando na corrente, as toras s�o facilmente transportadas at� a serraria mais pr�xima.
A experi�ncia mundial tem demonstrado que a devasta��o de �reas verdes ocorre com furor redobrado em regi�es pobres e que � muito dif�cil proteger o verde deixando desprotegidos os habitantes. O sujeito que pega seu caminh�o velho no sul do Par� e entra na mata para surrupiar uma tora e vender na serraria mais pr�xima est� numa atividade de subsist�ncia. � mais f�cil transform�-lo num membro do Rotary Club do que num soldado da natureza. Em v�rias oportunidades, o governo tentou encontrar solu��es para a pobreza end�mica da regi�o amaz�nica e sempre optou por solu��es ora simplistas, ora megaloman�acas, que, no final das contas, acabaram produzindo tipos como o derrubador de �rvores. Bras�lia perturbou popula��es ind�genas tirando-as de seus territ�rios a pretexto de fazer a Amaz�nia progredir, rasgou estradas in�teis no fundo da mata, atraiu sem-terra do Nordeste para desmatar e plantar na floresta, incentivou a cria��o de gado numa regi�o que n�o se presta a isso. Cometeu todos os erros imagin�veis nas circunst�ncias e nunca quis enxergar o �bvio.
O turismo ecol�gico rende 260 bilh�es de d�lares por ano para os pa�ses que o exploram. A Amaz�nia, o mais poderoso complexo da ecologia mundial, leva apenas 0,01% dessa verba. Alguma coisa est� errada e n�o � com o caboclo que est� pondo fogo numa capoeira para plantar mandioca na margem do Rio Solim�es. Os governos dos Estados do Par� e do Amazonas estendem tapetes vermelhos para atrair os madeireiros malaios, que t�m Ph.D. no manejo da motosserra, sob o olhar contemplativo do governo federal. Com tanto entusiasmo oficial envolvido, fica-se com a impress�o de que, pelo menos em termos econ�micos, a Amaz�nia est� fazendo um grande neg�cio com a derrubada de suas �rvores, quando na verdade todo o com�rcio de madeira nobre no mundo equivale a menos da metade do que os americanos apuram sozinhos apenas com a pesca esportiva. A Amaz�nia tem uma voca��o �bvia para atividades como o turismo ecol�gico e a pesca controlada. A minera��o, com sua vantagem de derrubar pouca mata e render alto dividendo, � tamb�m uma voca��o indiscut�vel. Tradicionalmente, o Brasil desconfia de grandes projetos nesse campo quando tocados pela iniciativa privada, sobretudo se h� estrangeiros por tr�s. Enquanto isso, alguma for�a misteriosa faz com que os pol�ticos da regi�o se inclinem pelos madeireiros de olhos puxados.
H� incentivos oficiais para todo tipo de atividade predat�ria, e o que acaba dando certo � aquilo que n�o estava nos planos dos burocratas das capitais. Isso aconteceu com a extra��o da borracha. Nos primeiros anos deste s�culo, pico do com�rcio da borracha na regi�o, Manaus tinha renda per capita superior � do sul do Brasil. Os bar�es da seringueira, imitando parisienses, tomavam champanhe e vestiam roupas importadas da Fran�a. A vida em Manaus, segundo se dizia com orgulho por l�, era quatro vezes mais cara do que a de Nova York. Um hotel da cidade tinha a reputa��o de ser o maior do mundo e o teatro, deslumbrante para os padr�es brasileiros na �poca, apresentava �peras com companhias europ�ias. A festa durou at� o momento em que o primeiro seringal da Mal�sia come�asse a produzir l�tex por um sexto do pre�o vigente em Manaus.
No caso da borracha, n�o foi aplicado nenhum plano artificial de conquista da floresta. Com poucas exce��es, sempre que isso aconteceu os resultados foram med�ocres, �s vezes pat�ticos. O pioneiro dos autom�veis, o americano Henry Ford, derrubou a mata para plantar seringais �s margens do Tapaj�s, nos anos 30, e deixou uma fortuna enterrada no solo amaz�nico. Na floresta, as seringueiras ficam distantes umas das outras, no meio da mata. Isso evita a dispers�o de pragas. Ford plantou seringueiras como quem distribui mudas de caf� numa fazenda do Paran�. Deu praga e a planta��o faliu. Outro magnata americano, Daniel Ludwig, comprou a maior propriedade rural do mundo no Amap�, nos anos 60, e l� perdeu 1 bilh�o de d�lares no sonho de fabricar polpa de papel, criar gado e plantar arroz.
Depois que o presidente Juscelino Kubitschek declarou que seu governo iria "arrombar a selva", ao iniciar as obras da Rodovia Bel�m--Bras�lia, em 1958, a receita da fanfarronice amaz�nica entrou na moda. Uma das fixa��es da ditadura militar nos anos 60 e 70 era integrar a Amaz�nia ao resto do Brasil a toque de corneta. Os militares temiam duas coisas. Uma delas, que o vazio da floresta fosse ocupado por invasores dos pa�ses vizinhos. A outra, que acabasse sendo reivindicado pelas na��es ricas para acomodar os pobres que sobravam em outros lugares. Afinal, e se a ONU come�asse a for�ar a m�o para que o Brasil aceitasse 300 milh�es de chineses na Amaz�nia, onde � que iria parar a soberania brasileira sobre a floresta? Esse era o sentimento que predominava nos quart�is durante aqueles anos. A ordem em Bras�lia era colonizar a Amaz�nia de qualquer maneira, o mais depressa poss�vel, custasse o que custasse. "Integrar para n�o entregar", conforme dizia um dos slogans da �poca. Nunca o desmatamento foi realizado com tanto esmero e idealismo.
Num del�rio de grandeza, o governo resolveu cortar a selva inteira com uma rodovia, a Transamaz�nica, e instalar milh�es de colonos �s suas margens. A Transamaz�nica � hoje um caminho lamacento e semi-abandonado. Os colonos descobriram logo que o terreno de suas ro�as n�o dava mais do que duas ou tr�s colheitas depois da queimada. Tentando uma corre��o de rota, Bras�lia trocou os agricultores humildes por empresas gigantescas que deveriam, segundo o plano dos estrategistas de gabinete, transformar a Amaz�nia num dos grandes exportadores mundiais de carne. Atra�das por incentivos fiscais e financiamentos, empresas sem nenhuma tradi��o na agropecu�ria, como a Volkswagen, a Varig e a companhia de seguros Atl�ntica Boavista, numa lista de 300, aceitaram o convite oficial e foram derrubar �rvores no solo fr�gil da Amaz�nia a fim de plantar capim para os futuros rebanhos. Mas nem mesmo o capim se desenvolveu no ch�o fraco da regi�o. Do plano, a �nica parte que deu certo foi a derrubada da mata.
Depois dessa s�rie de malogros, a Amaz�nia ainda continua sendo vista como uma fruta que deve ser espremida a qualquer pre�o. O Brasil, hoje com o segundo maior rebanho bovino do mundo, 170 milh�es de cabe�as, precisaria de uma �rea n�o muito maior do que a de Minas Gerais para multiplicar esse plantel por cinco, tornando-se uma pot�ncia imbat�vel no ramo. Bastaria aplicar t�cnicas que hoje s�o corriqueiras na regi�o do Tri�ngulo Mineiro. Mas h� pecuaristas desmatando a floresta tropical amaz�nica para engordar gado por l�. Na agricultura, acontece a mesma coisa. O Brasil j� tem uma safra enorme, de 77 milh�es de toneladas de gr�os, mas poderia colher cinco vezes mais num peda�o de terra como o do Estado da Bahia, desde que aplicasse padr�es europeus de plantio e colheita. Em vez disso, a agricultura avan�a nas bordas da floresta, deixando atr�s um campo semeado de toras abatidas. Numa regi�o que tem 20.000 quil�metros de rios naveg�veis, constroem-se rodovias de pouca utilidade como a Perimetral Norte, que a floresta j� comeu de volta. N�o � exatamente a parte j� destru�da ou seriamente danificada da floresta que mais preocupa. Essa parte, no fim das contas, j� est� mesmo perdida. O que assusta � o ritmo imperturb�vel que o desmatamento adquiriu. Foi assim com a Mata Atl�ntica